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Sobre Torrinha:
Grandes
extensões do perímetro de Torrinha são
compostas por cuestas basálticas e areníticas,
num total aproximado de 80 km, contendo em torno de
34 cânions. O potencial em atrativos turísticos
associados à essa feição geológica
é indiscutível e podem-se encontrar
desde paredões de até 100 metros de
altura, cachoeiras belíssimas, algumas cavernas
de arenito e basalto e até matas de galeria
e de encostas ainda primárias bem preservadas
em vales estreitos ainda pouco explorados.
Torrinha está inserida no compartimento do
Planalto Ocidental Paulista (Planaltos e Chapadas
da Bacia do Paraná). A área integra
a unidade geotectônica denominada Bacia Sedimentar
do Paraná, onde houve acúmulo de espesso
pacote sedimentar e intrusões vulcânicas
basálticas ocorridas no Terciário (Era
Cenozóica - entre 70 e 12 milhões de
anos) que passaram por processos tectônicos
e desgaste erosivo, surgindo daí o relevo cuestiforme
(cuestas) de escarpas festonadas, dispostas em arcos
voltados para o velho escudo -o Planalto Atlântico-,
contando com a presença de um morro testemunho
onde está localizada a "Pedra de Torrinha".
O município de possui ainda aproximadamente
5% de sua vegetação nativa original.
Desse total, quase 100% é composto por vegetação
de encosta, graças à presença
das cuestas do município. Espécies do
cerrado e da Floresta Latifoliada Tropical ainda existem
em pequenas manchas isoladas, sendo quase totalmente
dizimadas por ocuparem originalmente áreas
ideais para a agricultura e a pecuária. Felizmente
a presença dos inúmeros paredões
e terras de encosta que brotam das cuestas, "estorvo"
aos colonizadores do início do século,
preservou um tesouro natural e importante santuário
para a biodiversidade no Estado de São Paulo.
Aspectos
Geo-Físicos :
Localização:
Torrinha
está situada em altitudes que chegam a 1000
metros acima do nível do mar. O município
possui uma área de 303,3 km2. Apresenta as
coordenadas geográficas de 22º25' de Latitude
Sul e 48º10' de Longitude à oeste do Meridiano
de Greenwich. Está a 270 km da capital do Estado
de São Paulo.
O
município faz limites com os seguintes municípios:
São Pedro (leste), Dois Córregos (oeste),
Brotas (norte) e Santa Maria da Serra (sul).
População:
Torrinha possui aproximadamente 8.500 habitantes,
sendo que a população urbana é
maior que a rural.
Alguns
Aspectos:
- TEMPERATURA MÉDIA ANUAL: 22o C
- CLIMA: Tropical
- ALTITUDE: 1000 metros
- ÍNDICE PLUVIOMÉTRICO ANUAL: 1.750
mm.
- TIPOS DE ROCHAS: Basaltos e Arenitos
- RECURSOS MINERAIS: Areias
- GEOMORFOLOGIA: Cuestas Basálticas
- RELEVO: vai de plano a ondulado
- VEGETAÇÃO: cerrado e campo
Aspectos
Históricos:
A
ocupação e o povoamento onde hoje localiza-se
o município de Torrinha caracterizou-se pelo
avanço das fronteiras de colonização
do interior do país na busca por riquezas.
Nos séculos XVII e XVIII essa porção
do território paulista era cortada por caminhos
de tropeiros e viajantes que aí faziam seu
pouso. Com a necessidade de suprimentos de gêneros
alimentícios, abastecimento variado e serviços
de consertos, surgiram incipientes atividades comerciais
e de prestação de serviço, possibilitando
a fixação dos primeiros colonizadores
da região e a formação de núcleos
populacionais.
Esse processo de ocupação intensificou-se
com a doação de sesmarias que deram
forma e delinearam as grandes propriedades rurais,
embriões das futuras áreas urbanas.
A Lei de Terra de 1850 favoreceu a vinda de pessoas
de outras regiões do país que aqui estabeleceram-se
com agricultura de subsistência em áreas
próximas ao pequeno arraial em formação.
Através de documentos e registros, sabe-se
que algumas famílias torrinhenses já
viviam aqui desde 1850. Dessa forma podemos afirmar
que as famílias Fonseca Costa, Mello, Dias,
Ferreira, Ferraz, Gomes, Ribeiro do Prado, Dias Ramos,
Carvalho, Franco de Moraes, Souza, Barros, Teixeira,
Leite, Marques, Paiva, França, Pinto, Melchert,
Barbosa, Bueno, etc, são consideradas as pioneiras.
Historicamente, José Antunes de Oliveira é
considerado o fundador de Torrinha, foi ele quem doou
ao Bispado de São Paulo uma pequena área
onde foi edificada uma capela em homenagem a São
José (onde se encontra a atual matriz), considerado
o padroeiro da cidade. Calcula-se que esse fato se
deu por volta de 1870, ou seja, dezenove anos antes
da República.
Em 1880, documentos da época, registram a chegada
de Jerônimo Martins Coelho, neto do Barão
de Cocais, Vindo da Borda da Mata, Minas Gerais, que
aqui adquiriu grande quantidade de terras que alcançava
as localidades de Santa Maria da Serra, Torrinha,
Brotas e Dois Córregos. Instalou-se por muito
tempo em terras onde hoje está a Usina dos
Três Saltos e construiu nesta fazenda uma das
primeiras Igrejas Presbiterianas do Estado.
Nesse período outras famílias foram
chegando e o arraial foi adquirindo vida e com a chegada
de Bento Lacerda, que era filho do Barão de
Araras, Sr. Bento Lacerda Guimarães e de Dona
Manuela Franco, em 1886, o pequeno arraial ganha impulso.
Bento Lacerda acabara de retornar à Pátria,
vindo da Alemanha, onde estudara na Universidade Politécnica
de Hannover, especializando-se em Química e
Mineração. Aceitou o desafio e veio
trabalhar nas terras adquiridas pelo Barão.
Tornou-se uma das figuras mais importantes da história
do município. A ele são atribuídas
a criação do Distrito de Polícia
em 1892 e Distrito de Paz em 1896.
O desenvolvimento econômico dessa região
iniciou-se por volta do século XIX com a introdução
da cultura açucareira. O plantio de cana-de-açúcar
no município de Torrinha deve-se à sua
proximidade geográfica das áreas açucareiras
de Piracicaba, Araraquara e São Carlos. Entretanto
as condições locais não favoreceram
a permanência dessa cultura. O ciclo de cana-de-açúcar
impulsionou o povoamento e a colonização,
favorecendo a introdução da cultura
cafeeira e estimulando a vinda dos imigrantes.
A cultura cafeeira foi introduzida no município
no final do século XIX e seu desenvolvimento
está associado à construção
da ferrovia pela Companhia Paulista de Estradas de
Ferro, inaugurada em 07 de Setembro de 1886, com o
nome de Estação Ferroviária de
Santa Maria e posteriormente Torrinha.
A estação representou a força
maior no desenvolvimento da cidade que necessitava
de um meio de escoamento e depósito de seu
principal produto agrícola, o café,
como também foi de utilidade para o transporte
de passageiros entre eles os imigrantes.
História
da Cultura:
As atividades rurais desenvolvidas no município
ao longo dos anos demandaram uma série de utensílios
para uso doméstico e para o trabalho da lavoura.
Entre os mais usados destacam-se as peneiras, cestas,
jacás feitos com taquara encontrada na região.
Essa arte cesteira, à qual se denomina artesanato
utilitário, presente em todas as culturas e
povos, encontra-se extinta no município em
função da substituição
desses utensílios por outros fabricados com
diferentes materiais.
Além
de cestaria, outras técnicas e materiais eram
usados para confecção de produtos com
o mesmo sentido utilitário. Assim pode-se citar
a madeira, o couro, palha de milho, capim, entre outros,
com os quais produziam-se pilões, monjolos,
ferramentas, colchões, relhos, laços
e muitos outros cujo resgate torna-se importante nesse
momento.
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